sexta-feira, 10 de outubro de 2008

Pequenos contos - Domingo

Acordou cedo, considerando que era domingo. Nove da manhã. Céu nublado, prestes a chover. "Perfeito", pensou ela, vestindo o roupão e saindo devagar do quarto, para não acordá-lo. Passou pelo corredor e deu uma espiada no quarto da pequena. "Ainda dorme", verificou.
"Café passado, ovos mexidos, pão integral. Não, não. Pão branco, hoje é domingo! E domingo chuvoso, aconchegante". O cheiro do café já invadia a cozinha, os pães no tostador pulando quentinhos e os ovos mexidos no ponto.
"Agora sim, começo bem meu domingo", refletiu enquanto a cafeteira terminava seu serviço. A chuva veio torrencial, como para dizer bom dia. Sorriu e tomou o primeiro gole de café, pensando "mais que perfeito: chuva, domingo, café dos deuses e silêncio total". Breve momento em que consegue conectar-se consigo mesma. Nos domingos, diferente de todos os dias da semana, é quando sozinha, acompanhada apenas do sagrado café preto, consegue colocar a cabeça no lugar, sentir-se ela somente com ela, sintonizar-se com sua essência, energizar-se para a semana que começa na segunda-feira.
Pensou em tudo que precisava fazer, no que já havia feito e naquilo que com certeza não iria fazer. Com nova memória e energias revitalizadas, serviu a segunda xícara de café.
Barulho no corredor. Pézinhos que se arrastam, trazendo até a cozinha o sol que ilumina sua vida mesmo num domingo de chuva: "mami, tem meu nescau?". Os olhinhos ainda semi-fechados, as mãozinhas que carregam um velho pedaço de cobertor, companheiro inseparável do soninho.
Logo atrás, ainda sonolento e de pijamas, maior que a primeira, porém com os mesmos olhos e o mesmo desejo: "também quero um nescau, bom dia", seguido de um longo bocejo.
Sorriu novamente, satisfeita. Começava o domingo e o resto da semana.

2 comentários:

Juliana Machay disse...

Obrigada pela visita.
Eu não vou usar uma organizadora, pq o orçamento é baixo, vou tentar segurar isso sozinha, vamos ver...
Valeu pela dica dos convites.

bípede falante disse...

Mas que conto ótimo, tão visual e perfumado. Acompanhei a moça olhando pela janela, vestindo o roupão, flutuando para não acordar o restante da família...