terça-feira, 23 de dezembro de 2008

Tudo novo de novo

Percebo que algumas pessoas, ao se depararem insatisfeitas neste fim de ano, acabam negando qualquer possibilidade de mudança. A inércia diante do revigorar-se está estampada no negativismo de ações, na falta de amor próprio, no lamentar-se e vitimizar-se diante de um mundo que, na limitada visão dos que sofrem por sofrer, está dia-a-dia empenhado em conspirar contra, em fazer de tudo para que nada dê certo.
Sinto pena dos que assim irão começar um novo ano, sem sonhos ou perspectivas, sem agradecimentos e o reconhecimento de que o que somos, o que queremos e o que conquistamos dependem do que cada um carrega dentro de si. Amor (ao próximo e a si mesmo!), compreensão, amizade, paciência, reponsabilidade, bom senso e bom humor (indispensáveis!), paixão (pela vida, por um amor, pelo trabalho), racionalidade, compaixão e individualidade. Cito a individualidade porque, se carregarmos tudo isso e não trouxermos nossa individualidade junto, acabamos por nos perder pelo caminho, sem saber ao certo quem somos, de nada adiantando tantos sentimentos bons para com os outros se esquecermos de nós mesmos.
Ame-se, revigore-se, reinvente-se. As possibilidades estão todas aí. Um novo ano recomeça e a sensação de que tudo pode ser diferente é o primeiro passo para que você possa buscar quem você realmente é.
Ótimas festas a todos, um natal e um ano novo iluminado!
Até o ano que vem!

sexta-feira, 19 de dezembro de 2008

Constatações

Odeio que fujam
Que deslizem
Que se façam de desentendidos
De burros
E de santos.
Odeio que passem adiante
Como se nada fosse
Como se não lhes dissesse respeito
Odeio, odeio, odeio.
No fim
Será uma saída pela direita
Na hora certa
Antes que eu me olhe no espelho
E sinta ímpetos de me odiar também.

Silêncio

O silêncio que por vezes fala, a palvra que silencia.
Contraditórios que dão rumo ao que cada um vivencia.
Esperam pela noite, pelo sono que chega
E invade e entorpece e mais uma vez,
Silencia.
Adormecem.
De tanto saber e conhecer, aceitam, convidam, silenciam.
Silêncio.
Vai raiar o dia.

Pesadelos

Uma noite que não finda
Em sonhos o desespero
O choro seco
A agonia em querer gritar
E não conseguir
Acorda
Procura na cama
Com mãos cegas a tatear
Encontra-o
Ressonando um sono cansado
Suspira aliviada
Ainda não amanheceu
Pode dormir mais um pouco.

terça-feira, 16 de dezembro de 2008

Pequenos contos - No seu lugar

Havia quase 10 anos desde que tinha mudado completamente sua vida.
Uma proposta de trabalho foi suficiente para o desvio do rumo de todos os planos já praticamente consolidados, a mudança de cidade e consequentemente, o distanciamento do que fora construído em uma vida toda.
Foi por acaso que encontrou, em uma loja no cento da cidade, uma amiga da antiga turma. Quanto tempo, como você está, todo mundo sentiu tua falta, eu também me mudei, mas e ai guria, como não deu mais notícias? O repertório básico dos encontros nostálgicos que encantam no primeiro momento, para depois deixar uma sensação de vazio, de não mais pertencer a você tudo aquilo que em questão de segundos foi resgatado da memória.
Despediram-se, sem nem ao menos trocarem telefones, e-mail ou qualquer forma de contato, como se isso não fosse necessário, como se no dia seguinte fossem se encontrar, como antigamente.
Passou o resto do dia melancólica, com a sensação de que alguma coisa ficara perdida no tempo, no espaço que antecedeu toda a vida que conhecia desde o dia em que partiu da cidade natal e decidiu que faria tudo diferente.
Sentia saudades das pessoas sim, dos momentos bons que viveu e de tudo que ficara para trás. Mas o que mais doía e dava a sensação de ter perdido algo, era a saudade de si mesma. Da pessoa que era naquele tempo. Não que não estivesse feliz consigo mesma agora, mas era estranho pensar em si e não encontrar mais o que fora.
Será que mudara tanto? E teria sido para melhor? Impossível mensurar. Situações diferentes, idades diferentes, pessoas diferentes, sonhos diferentes.
Chegou em casa, abriu a porta e sentiu o cheiro gostoso de comida que vinha no ar e a música suave que tocava na sala.
Imediatamente, sentiu-se confortada. Ele já a esperava com o jantar, como de costume. Era muita sorte que ela, uma nulidade completa no quesito cozinha, tivesse encontrado alguém que amasse cozinhar.
A melancolia passou, a saudade deu lugar a uma completa certeza de quem ela era e que assim estava tudo no seu devido lugar.Quem fora, o que vivera, estava muito bem catalogado nos melhores momentos de sua vida, nas caixinhas mentais que ao longo do tempo vão se formando na memória.
Não sentiu mais o vazio, nem a sensação de perda. Encontrou-se novamente. Afinal, havia retornado para casa.

terça-feira, 9 de dezembro de 2008

Feliz

Do guri que um dia foi
O mesmo sorriso fácil
A teimosia velada que insiste
A doçura da criança que persiste

Homem feito
Faz escolhas
Sentimentos
Regramentos ao seu jeito

Descobrindo a vida
Descobre-se a si mesmo
E olha para dentro
De quem veio
Para quem vai

E assim traça caminhos
Busca verdades
Percorre pessoas
E se diz
Na mais pura literalidade do termo
Feliz.


Para vc, hermano ;)

sexta-feira, 5 de dezembro de 2008

Espelho

Ao olhar-se a si mesmo,
É preciso ter cuidado
O que vemos é o que sentimos
E o que sentimos às vezes não é o que desejamos

A confusão instalada
Sem motivo aparente
Por vezes demonstra aquilo que escondemos,
O que tememos

O que somos e fazemos,
Nossos sonhos e os medos
Partes de um todo,
Fragmentado
Revelado.

terça-feira, 2 de dezembro de 2008

De família 2

Antes que eu cometa uma injustiça, meu pai, além da orátória, também tem talento na escrita. Mesmo que apenas em textos técnicos ou em discursos políticos, nos idos tempos em que era militante político, vereador no nosso município, devo aqui fazer jus aos seus escritos.
Gracias, papito.