segunda-feira, 28 de outubro de 2013

Espelho

Perceber-se refletida na insanidade alheia
Acalma a alma e rateia a incerteza
Porque em outros corpos também habita a tristeza
E a dor e o desejo
E a alegria e a delicia
De um dia também ter sido.

Dor

A dor fecunda
Traz a palavra
Mesmo que aguda
E doída.

A dor acalanta
Mesmo que no toque da ferida
Nas palavras escritas
Que a dor conduziu quando a noite caiu.

quarta-feira, 23 de outubro de 2013

Indelével

Escrever é um eterno recomeço
De quem sou e de quem serei
Lembrada ou não, na memória não sei de quem
Minhas palavras aqui ficarão.

De tempos em tempos elas virão
Com dor, com riso
Com deleite e com prazer.
Alegrias, também.

E lágrimas, muitas lágrimas
Pois quem pela vida passa
Sem derramá-las
Não viveu de fato com todo o coração.

terça-feira, 15 de outubro de 2013

Da alma que lhe sorri

Chora. Pode chorar. 
Pois quem chora lava a alma 
Que há muito andava esquecida. 

Nas gavetas da memória e na rua em que passa 
Lembra de toda a sua graça em descobrir-se menina 
Mulher, mãe, amante e amiga  
Uma mistura de tudo o que foi, o que é e o que ainda será. 

 Mas chora. E depois ri.
 Porque quem chora despeja a tristeza 
 Para dar espaço à alegria que lhe sorri.

sábado, 12 de outubro de 2013

Do aprender nas palavras

Ainda se encontra na superfície, acima do lugar profundo em que as palavras são mais densas, mais trabalhadas. Mas por não ter medo de ir até o fim, mesmo que o fim seja infinito em um lugar que palavras, sentimentos e emoções se confundem, se fundem e se traduzem, é que busca nas palavras de outros, em outras vidas e outro encantos, o que ainda não aprendeu com ela própria e com suas ainda pequenas dores, pequenos amores e dissabores, de uma vida ainda curta, porém finita, que ainda grita que o fim, bem, este sim, ainda se encontra distante.

sábado, 5 de outubro de 2013

Partida e chegada

Se reconhece como incompleta, pássaro com asas mas com medo de voar. Rio que corre sem um mar onde chegar, e por assim se sentir acaba sumindo, findando num vazio. Coração fica apertado, com vontade de parar. Respira e lembra. Ainda vive, ainda caminha e é notada, mesmo que a partida pareça a única chegada.

quinta-feira, 3 de outubro de 2013

Entregando-se

Andava a engolir sapos, carboidratos e afins. Mas prefiro muito mais agora, quando as palavras tomam conta de mim. Devoradora me tornei, uma comedora de palavras enfim. Por aqui continuo, quando a poesia quiser encontrar um ponto. E fim.