quarta-feira, 20 de novembro de 2013

O meu lugar

Do tempo que às vezes insiste em passar mais rápido do que deveria
Tira e espreme toda a alegria e o entusiasmo
Por encontrar-se no lugar em que sempre deveria ter estado
Desde o princípio e o começo de tudo
Desde quando encontrou a primeira palavra e viu nela
Como quem assiste ao primeiro nascer do sol
O sentimento de total paz e felicidade
E encontro do que é seu
Tão seu que decide dividir com o mundo
Já que tanto sentimento transborda
E transcende
E invade e precisa de espaço
De outros olhares e outros saberes
Porque a palavra encontra
Em cada paragem e em cada encontro
Um novo sentido
Um novo estrondo
Um velho suspiro
O silêncio de espanto e o riso do novo
De ser, sentir e viver.
Com todo o coração e com toda alma.
Que agora se acalma mas nunca mais se cala.

sexta-feira, 8 de novembro de 2013

Da série: convidados especiais

Aqui no Sem Cerimônias toda palavra que reflete sentimento é digna de ser publicada.
Um viva à minha comadre Amanda Casagrande, que "morrendo de vergonha" como ela mesma disse, me enviou seus sentimentos expostos em prosa e verso.
Esse espaço é de vocês também, meus queridos leitores e amigos! Quem quiser botar pra fora, sem cerimônias, o que passa aí do outro lado e já foi externado através das palavras, é só entrar em contato comigo e terei o maior prazer em publicar!


"E de repente tudo acaba.
 Sentimento de vazio. Palavras soltas. Frases repensadas.
 Lágrimas.
 Lembranças de momentos que não param de se repetir.
 Momentos bons, de risadas, de abraços, de  beijos e do amor.
 De repente nada faz sentido.
 O fim.
 Mais uma lágrima. Sentimento à tona.
 Saudade, saudade, saudade.
 Somente isso vai ficar."


segunda-feira, 28 de outubro de 2013

Espelho

Perceber-se refletida na insanidade alheia
Acalma a alma e rateia a incerteza
Porque em outros corpos também habita a tristeza
E a dor e o desejo
E a alegria e a delicia
De um dia também ter sido.

Dor

A dor fecunda
Traz a palavra
Mesmo que aguda
E doída.

A dor acalanta
Mesmo que no toque da ferida
Nas palavras escritas
Que a dor conduziu quando a noite caiu.

quarta-feira, 23 de outubro de 2013

Indelével

Escrever é um eterno recomeço
De quem sou e de quem serei
Lembrada ou não, na memória não sei de quem
Minhas palavras aqui ficarão.

De tempos em tempos elas virão
Com dor, com riso
Com deleite e com prazer.
Alegrias, também.

E lágrimas, muitas lágrimas
Pois quem pela vida passa
Sem derramá-las
Não viveu de fato com todo o coração.

terça-feira, 15 de outubro de 2013

Da alma que lhe sorri

Chora. Pode chorar. 
Pois quem chora lava a alma 
Que há muito andava esquecida. 

Nas gavetas da memória e na rua em que passa 
Lembra de toda a sua graça em descobrir-se menina 
Mulher, mãe, amante e amiga  
Uma mistura de tudo o que foi, o que é e o que ainda será. 

 Mas chora. E depois ri.
 Porque quem chora despeja a tristeza 
 Para dar espaço à alegria que lhe sorri.

sábado, 12 de outubro de 2013

Do aprender nas palavras

Ainda se encontra na superfície, acima do lugar profundo em que as palavras são mais densas, mais trabalhadas. Mas por não ter medo de ir até o fim, mesmo que o fim seja infinito em um lugar que palavras, sentimentos e emoções se confundem, se fundem e se traduzem, é que busca nas palavras de outros, em outras vidas e outro encantos, o que ainda não aprendeu com ela própria e com suas ainda pequenas dores, pequenos amores e dissabores, de uma vida ainda curta, porém finita, que ainda grita que o fim, bem, este sim, ainda se encontra distante.

sábado, 5 de outubro de 2013

Partida e chegada

Se reconhece como incompleta, pássaro com asas mas com medo de voar. Rio que corre sem um mar onde chegar, e por assim se sentir acaba sumindo, findando num vazio. Coração fica apertado, com vontade de parar. Respira e lembra. Ainda vive, ainda caminha e é notada, mesmo que a partida pareça a única chegada.

quinta-feira, 3 de outubro de 2013

Entregando-se

Andava a engolir sapos, carboidratos e afins. Mas prefiro muito mais agora, quando as palavras tomam conta de mim. Devoradora me tornei, uma comedora de palavras enfim. Por aqui continuo, quando a poesia quiser encontrar um ponto. E fim.

quarta-feira, 21 de agosto de 2013

Silêncio

Calada remói as palavras não ditas E o silêncio exigido torna-se maior do que sua boca pode suportar E o nó que dela inflama A faz gritar somente em pensamentos.

quinta-feira, 11 de julho de 2013

Tempo

O tempo que levamos para lembrar é infinitamente menor que o tempo que levamos para esquecer. O tempo que se arrasta na rotina é cruelmente inverso ao tempo que nos engole nos fins de semana de sol. O tempo que nos preocupamos com bobagens é ridiculamente maior que o tempo que ocupamos com nós mesmos. O tempo, o vento, o mesmo do mesmo. Vai tempo e voe.

terça-feira, 2 de abril de 2013

De volta

Com os olhos ainda inchados, resolveu encarar todos os medos. Medo de errar, medo de não ser notada, medo de ser fraca, medo de ser forte demais, medo de ter medo. Medo de ser fútil e de ser muito séria também. Medo de ser tachada de chata (mais uma vez, pois foram incontáveis as vezes na adolescência), medo de ser gorda e de fugir da realidade, medo de ser uma mulherzinha e de ser uma super mulher, com capa e espada de super mãe-esposa-profissional-amante-amiga-megera-rainha má-princesa cinderela. Medo dela mesma, da vida, da rotina e da morte, mesmo que por vezes desejada, no mais insano pensamento, por pura vaidade do tipo aí então iriam sentir minha falta. E de tanto sentir medo, afogou-se em lágrimas e surtos, em realidades distorcidas, fantasias meramente reais e palpáveis. Em contradições com ela e ela mesma, dela para si e de si para o vazio. Em palavras não ditas, em sentimentos abafados, em gritos contidos, em fúria engolida e mal digerida. Em cair em si mesma e no nada. E voltar à superfície e tentar respirar. E só conseguir com os dedos, rápidos, sem freios, com a tela já esquecida a brilhar no meio da noite, e as palavras rápidas e gentis, e que a entendem e que a libertam. E por fim torna a respirar, torna a ver tudo mais claro. Estava sempre ali, tudo, absolutamente tudo, como num surto mal contido. A escrita, as palavras, os dedos, os sentimentos, ela por ela mesma. De volta. Começa a sentir-se viva.