quarta-feira, 18 de maio de 2016

Menina pode sim!

Hoje a Antônia comentou que haviam assistido na escola o filme procurando Nemo. "Eu gosto um pouco desse filme, mamãe." Até aí, tudo normal. Então veio o seguinte comentário: "Você sabia mamãe que o filme Carros é de meninos, que o Nemo é de meninos e que o Toy Storie é de meninos? Por isso as meninas só podem gostar um pouco deles". Meu alerta máximo de que alguém havia tido um papo machista com minha pequena de 5 anos piscou e gritou em volume máximo. "É mesmo filha, e quem falou isso pra você? ". A resposta foi imediata: "o fulaninho mãe, meu colega".
Eu respirei e pensei na melhor resposta para dar a ela, uma resposta que fizesse com que ela entendesse que essa história de que princesas são só para meninas e que personagens corajosos, valentes, rápidos e infinitamente mais divertidos e engraçados são só para os meninos estava completamente errada. "Olha filha, eu acho que todos esses filmes que você falou são para qualquer criança que goste de histórias divertidas, engraçadas e que falem de amizade. E alguém dizer que menina não pode gostar desse tipo de filme, não tem nada a ver. Menina também é VALENTE, CORAJOSA, RÁPIDA, ESPERTA E INTELIGENTE, você não acha?" Ela me olhou com um ar de satisfação, de quem havia sido liberada de um castigo ou de uma sentença de uma semana sem doce e soltou: "Claro mamãe! Eu adoro o Nemo, os Carros e o Toy Storie. E gosto das princesas também!" Senti que era exatamente isso que ela queria ouvir.
Mesmo falando todos os dias para a minha filha que ela pode fazer e ser o que ela quiser, que ela é uma menina forte, que ela é destemida, que ela é corajosa, há quem consiga tentar balançar essas estruturas e esses valores. Ainda que a pessoa em questão seja um coleguinha de 5 anos, um menino que ainda esta sendo guiado por parâmetros muito restritos e ultrapassados de o que é correto para meninas e o que é correto para meninos.
Minha pequena é VALENTE, CORAJOSA, FORTE, MEIGA, INTELIGENTE, RÁPIDA, GENTIL, uma LÍDER NATA . Gosta de rosa, roxo, princesas e bonecas, carrinhos e bicicleta, voa solta em um patinete e corre léguas à frente da maioria dos meninos na aula de educação física. Ela é o que ela quiser ser, porque menina pode sim! E será sempre!
Que as mães de meninas possam sempre dizer às suas princesas o quanto elas têm valor, o quanto são corajosas, espertas, valentes e fortes. E que as mães de meninos ensinem aos seus filhos que essas são qualidades admiráveis e esperadas em qualquer pessoa, inclusive nas mulheres. Nós mães  temos a missão de criarmos filhos que transformem o mundo em um lugar melhor, mais justo e igualitário.

terça-feira, 17 de maio de 2016

A culpa

A maternidade é linda, gratificante, uma dádiva. Mas sabe também ser cansativa, extenuante e às vezes cruel. 
Quando nasce um filho, nasce uma mãe. Nascem também  um amor incondicional e uma culpa inexorável, inseparável. Junte tudo isso e voialà: você tem uma mãe de carne e osso. E imperfeita, falível, porém não menos mãe. Mas explica isso pra uma mãe! Que ela pode errar, que as coisas podem não sair exatamente como parecia ser o certo.
Que o fato de sentir culpa é algo normal e que irá acompanhá-la pelo resto da vida agora que  criaturinhas tão frágeis, pequenas e com tanto a aprender dependem, e muito, dela, do seu senso crítico, dos seus cuidados, das suas escolhas, pelo menos nos primeiros anos da infância. 
Toda mãe deveria ter o direito de ser informada de que nada irá adiantar: nenhuma revista sobre maternidade, nenhum guia de como criar os filhos, nenhum conselho de vó, mãe, tia ou quem quer que tenha sido mãe irá preveni-la ou livrá-la da culpa. 
A mãe sempre sentirá culpa pelo que fez ou pelo que deixou de fazer. Pelas palavras ou pela falta delas. Pelas horas que não passou com os filhos  e também pelas que dedicou em demasia. Por todos os "nãos", os "sim", os "porque eu mandei". Culpa, culpa, culpa. Mas ela pode e deve ser administrada. Carregue a culpa daquilo que te compete, mas de forma leve (se é que isso é possível!?). Compartilhe com quem também a carrega. Nada melhor que uma mãe para reconhecer e acolher outra. Faça as escolhas que estiverem ao alcance da sua sensatez e do seu sexto sentido, o super poder de toda mãe. Sempre de braços dados com o amor, esse parceiro inseparável que nos dá a garantia de que sim, vale a pena todos os dias.