sábado, 25 de abril de 2009

Sem testemunhas

Hoje, lendo Divã de Martha Medeiros, encontrei uma frase que me fez pensar bastante: "nunca somos nós mesmos na presença de testemunhas". Parece ser bastante verdadeira essa afirmação. Realmente estamos sempre prontos a nos escondermos, seja por vergonha, medo, imposições da dita sociedade, por amor ou por ódio, por desconfiança ou excesso dela. O que realmente somos e queremos, lá no fundinho, acho que acaba sempre sendo uma incógnita para nós mesmos. Aceitar sentimentos, defeitos e desejos que nem sempre nos parecem acertados, nos faz agir muitas vezes de forma extremamente cautelosa quando na presença de outras pessoas. Assim, por medo de deixarmos escapar, para nós mesmos, aquilo que não aceitamos e que evidentemente, não queremos dividir com mais ninguém, sufocamos emoções, condutas, extravasamentos necessários, sandices temporárias e todo o tipo de sentimentos que só querem vir a tona, e só. Dividir. Eis palavrinha difícil de se por em prática. Dividir sentimentos, sonhos, ideias, desejos. E se não forem compreendidos e aceitos? E se forem rechaçados, ridicularizados, tolhidos? E eis que vem o medo. E a resignação. E encobrimos tudo, aceitamos não aceitá-los. Mas até quando?

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