terça-feira, 17 de maio de 2016

A culpa

A maternidade é linda, gratificante, uma dádiva. Mas sabe também ser cansativa, extenuante e às vezes cruel. 
Quando nasce um filho, nasce uma mãe. Nascem também  um amor incondicional e uma culpa inexorável, inseparável. Junte tudo isso e voialà: você tem uma mãe de carne e osso. E imperfeita, falível, porém não menos mãe. Mas explica isso pra uma mãe! Que ela pode errar, que as coisas podem não sair exatamente como parecia ser o certo.
Que o fato de sentir culpa é algo normal e que irá acompanhá-la pelo resto da vida agora que  criaturinhas tão frágeis, pequenas e com tanto a aprender dependem, e muito, dela, do seu senso crítico, dos seus cuidados, das suas escolhas, pelo menos nos primeiros anos da infância. 
Toda mãe deveria ter o direito de ser informada de que nada irá adiantar: nenhuma revista sobre maternidade, nenhum guia de como criar os filhos, nenhum conselho de vó, mãe, tia ou quem quer que tenha sido mãe irá preveni-la ou livrá-la da culpa. 
A mãe sempre sentirá culpa pelo que fez ou pelo que deixou de fazer. Pelas palavras ou pela falta delas. Pelas horas que não passou com os filhos  e também pelas que dedicou em demasia. Por todos os "nãos", os "sim", os "porque eu mandei". Culpa, culpa, culpa. Mas ela pode e deve ser administrada. Carregue a culpa daquilo que te compete, mas de forma leve (se é que isso é possível!?). Compartilhe com quem também a carrega. Nada melhor que uma mãe para reconhecer e acolher outra. Faça as escolhas que estiverem ao alcance da sua sensatez e do seu sexto sentido, o super poder de toda mãe. Sempre de braços dados com o amor, esse parceiro inseparável que nos dá a garantia de que sim, vale a pena todos os dias.

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