sábado, 24 de janeiro de 2009

Raízes

O que te faz criar
Raízes
Tua terra?
Teu chão?
Os teus?
Não as cria
Elas já existem
Querendo ou não
Elas te prendem
Te alimentam
Te fazem ser quem tu és
Te fazem crer que és.
Arrancá-las
Impossível.
Apara os galhos que te incomodam
E vive a vida que é tua.

quarta-feira, 21 de janeiro de 2009

Libertar

Corre para aliviar o peso
Do corpo
Da cabeça
Dos passos.
Sempre sonhou
Mas nunca tentou.
Agora descobre
Antes tarde do que nunca
Mesmo que Deus
Não tenha dado asas
Deu pernas
E estas correm
Libertam.

terça-feira, 13 de janeiro de 2009

Às avessas

Tenta escrever mas não consegue. Anda assim, meio sem inspiração. Apenas para se justificar, deixa algumas linhas falarem o que não consegue. Ler tem sido o remédio, ou a solução? Aguarda pela luz, para voltar a normalidade. Vai ver a culpa é de um certo Erico Veríssimo e sua saga de sete livros que ela insiste e não se cansa de ler e reler...Sem falar nos famigerados editais, que insistem em não aparecer. E assim ela segue, navegando, sem rumo muito certo, mas com a água sempre a bater quase no pescoço. Sabe onde está o farol, só precisa enxergá-lo.

segunda-feira, 12 de janeiro de 2009

Sempre os livros

Uma brincadeira da Marie. Passo a tarefa para quem se interessar.

1. Livro que marcou sua infância: Lia muito os livros da coleção "Vaga-Lume", o que mais me recordo de ter sido devorado, foi "O escaravelho do diabo".
2. Livro que marcou sua adolescência:Nossa...foram muitos... "Cem anos de solidão" do Gabriel Garcia Marques; "Olhai os lírios do campo" e "O tempo e o vento" do Erico Veríssimo, "O livro dos Abraços" do Eduardo Galeano; "Dom Casmurro" Machado de Assis, "Casa dos espíritos" Isabel Allende, esses vieram imediatamente, mas se for parar para pensar são muitos!
3. Autor que mais admira:Erico Veríssimo.
4. Autor contemporâneo: Gabriel Garcia Marques, Eduardo Galeano.
5. Leu e não gostou: Terras do sem fim, do Jorge Amado.
6. Lê e relê: "O tempo e o vento" Erico Veríssimo, "O rio do meio" Lya Luft, "O livro dos abraços" Galeano,
7. Mania: Comprar livros pela capa, ter que sentir a textura das folhas e o cheiro, procurar livros pela espessura: quanto maior, melhor.
8. Livros que quer ler: "Crime e castigo", "Memórias de minhas putas tristes","Ler, viver e amar em Los Angeles" e qualquer um que caia na minha mão...

terça-feira, 23 de dezembro de 2008

Tudo novo de novo

Percebo que algumas pessoas, ao se depararem insatisfeitas neste fim de ano, acabam negando qualquer possibilidade de mudança. A inércia diante do revigorar-se está estampada no negativismo de ações, na falta de amor próprio, no lamentar-se e vitimizar-se diante de um mundo que, na limitada visão dos que sofrem por sofrer, está dia-a-dia empenhado em conspirar contra, em fazer de tudo para que nada dê certo.
Sinto pena dos que assim irão começar um novo ano, sem sonhos ou perspectivas, sem agradecimentos e o reconhecimento de que o que somos, o que queremos e o que conquistamos dependem do que cada um carrega dentro de si. Amor (ao próximo e a si mesmo!), compreensão, amizade, paciência, reponsabilidade, bom senso e bom humor (indispensáveis!), paixão (pela vida, por um amor, pelo trabalho), racionalidade, compaixão e individualidade. Cito a individualidade porque, se carregarmos tudo isso e não trouxermos nossa individualidade junto, acabamos por nos perder pelo caminho, sem saber ao certo quem somos, de nada adiantando tantos sentimentos bons para com os outros se esquecermos de nós mesmos.
Ame-se, revigore-se, reinvente-se. As possibilidades estão todas aí. Um novo ano recomeça e a sensação de que tudo pode ser diferente é o primeiro passo para que você possa buscar quem você realmente é.
Ótimas festas a todos, um natal e um ano novo iluminado!
Até o ano que vem!

sexta-feira, 19 de dezembro de 2008

Constatações

Odeio que fujam
Que deslizem
Que se façam de desentendidos
De burros
E de santos.
Odeio que passem adiante
Como se nada fosse
Como se não lhes dissesse respeito
Odeio, odeio, odeio.
No fim
Será uma saída pela direita
Na hora certa
Antes que eu me olhe no espelho
E sinta ímpetos de me odiar também.

Silêncio

O silêncio que por vezes fala, a palvra que silencia.
Contraditórios que dão rumo ao que cada um vivencia.
Esperam pela noite, pelo sono que chega
E invade e entorpece e mais uma vez,
Silencia.
Adormecem.
De tanto saber e conhecer, aceitam, convidam, silenciam.
Silêncio.
Vai raiar o dia.

Pesadelos

Uma noite que não finda
Em sonhos o desespero
O choro seco
A agonia em querer gritar
E não conseguir
Acorda
Procura na cama
Com mãos cegas a tatear
Encontra-o
Ressonando um sono cansado
Suspira aliviada
Ainda não amanheceu
Pode dormir mais um pouco.

terça-feira, 16 de dezembro de 2008

Pequenos contos - No seu lugar

Havia quase 10 anos desde que tinha mudado completamente sua vida.
Uma proposta de trabalho foi suficiente para o desvio do rumo de todos os planos já praticamente consolidados, a mudança de cidade e consequentemente, o distanciamento do que fora construído em uma vida toda.
Foi por acaso que encontrou, em uma loja no cento da cidade, uma amiga da antiga turma. Quanto tempo, como você está, todo mundo sentiu tua falta, eu também me mudei, mas e ai guria, como não deu mais notícias? O repertório básico dos encontros nostálgicos que encantam no primeiro momento, para depois deixar uma sensação de vazio, de não mais pertencer a você tudo aquilo que em questão de segundos foi resgatado da memória.
Despediram-se, sem nem ao menos trocarem telefones, e-mail ou qualquer forma de contato, como se isso não fosse necessário, como se no dia seguinte fossem se encontrar, como antigamente.
Passou o resto do dia melancólica, com a sensação de que alguma coisa ficara perdida no tempo, no espaço que antecedeu toda a vida que conhecia desde o dia em que partiu da cidade natal e decidiu que faria tudo diferente.
Sentia saudades das pessoas sim, dos momentos bons que viveu e de tudo que ficara para trás. Mas o que mais doía e dava a sensação de ter perdido algo, era a saudade de si mesma. Da pessoa que era naquele tempo. Não que não estivesse feliz consigo mesma agora, mas era estranho pensar em si e não encontrar mais o que fora.
Será que mudara tanto? E teria sido para melhor? Impossível mensurar. Situações diferentes, idades diferentes, pessoas diferentes, sonhos diferentes.
Chegou em casa, abriu a porta e sentiu o cheiro gostoso de comida que vinha no ar e a música suave que tocava na sala.
Imediatamente, sentiu-se confortada. Ele já a esperava com o jantar, como de costume. Era muita sorte que ela, uma nulidade completa no quesito cozinha, tivesse encontrado alguém que amasse cozinhar.
A melancolia passou, a saudade deu lugar a uma completa certeza de quem ela era e que assim estava tudo no seu devido lugar.Quem fora, o que vivera, estava muito bem catalogado nos melhores momentos de sua vida, nas caixinhas mentais que ao longo do tempo vão se formando na memória.
Não sentiu mais o vazio, nem a sensação de perda. Encontrou-se novamente. Afinal, havia retornado para casa.

terça-feira, 9 de dezembro de 2008

Feliz

Do guri que um dia foi
O mesmo sorriso fácil
A teimosia velada que insiste
A doçura da criança que persiste

Homem feito
Faz escolhas
Sentimentos
Regramentos ao seu jeito

Descobrindo a vida
Descobre-se a si mesmo
E olha para dentro
De quem veio
Para quem vai

E assim traça caminhos
Busca verdades
Percorre pessoas
E se diz
Na mais pura literalidade do termo
Feliz.


Para vc, hermano ;)

sexta-feira, 5 de dezembro de 2008

Espelho

Ao olhar-se a si mesmo,
É preciso ter cuidado
O que vemos é o que sentimos
E o que sentimos às vezes não é o que desejamos

A confusão instalada
Sem motivo aparente
Por vezes demonstra aquilo que escondemos,
O que tememos

O que somos e fazemos,
Nossos sonhos e os medos
Partes de um todo,
Fragmentado
Revelado.

Temperança

  Ser abrigo e entregar afeto  sem medo de perder-se em meio às incertezas.   Pés no chão e intuição no coração.