Desabam na cama, lado a lado, como todas as terças nos últimos dois meses. Saciados, suados e gozados. Ele segue para o banheiro. Ela ainda termina de degustar o sabor dele na boca, o cheiro de sexo que vem da pele e a mistura adocicada dos perfumes dos dois. Já sabe a sequência de cor. Presta atenção aos barulhos e rotinas e os memoriza como pequenos tesouros contidos em pouco mais de três horas semanais de contentamento. Os cinco minutos no chuveiro, em que ele assovia seu samba favorito, o retorno com um sorriso de orelha a orelha e a pergunta de sempre: “gozou gostoso, bonita?”. Os beijos na bunda e nas costas, o andar despretensioso em direção a sacada, o jeito carinhoso dele puxar os banquinhos para sentar enquanto acende o cigarro e traga de forma lenta, como quem procura uma forma de prolongar o prazer. Solta a fumaça e sorri, um sorriso branco que se emoldura na pele negra. A encara por alguns minutos como quem tenta ler pensamentos, imaginando porque fica tão quieta depois que eles trepam feito coelhos. E ela ali, as pernas erguidas e os pés brancos com unhas vermelhas. Mesmo tendo gozado na cama, goza ainda mais no silêncio que os dois fazem sentados lado a lado, numa intimidade que vai para além dos lençóis e dos gemidos. Ele apaga o cigarro e a puxa pro colo, uma dança que já conhece tão bem. Se encaixam novamente, o beijo com gosto de tabaco, a alegria morna que ela há tanto tempo não sentia. O abraço demorado seguido da constatação: moraria para sempre nessas terças-feiras.
Sem cerimônias
sexta-feira, 24 de julho de 2026
Covardia
A notificação de mensagem chegou e abri imediatamente o aplicativo, dedos tremendo pelas notícias do exame de ultrassom. Mas a imagem que pipocou na tela do celular atingiu minha retina de forma visceral, refletindo num calafrio que chegou ao meu estômago e causou náuseas agudas: sangue, muito sangue, algo branco que não conseguia distinguir, um lençol ou uma toalha, agora tingido de um vermelho vivo. Acabara de pousar em São Paulo justamente para dar a notícia pessoalmente a minha mãe: seria pai. Seria, seria, seria. Não mais. O choro silencioso veio na mesma intensidade de quando escutei o barulho do coraçãozinho no primeiro exame. O vazio que tomou conta do peito paradoxalmente pesava como um tijolo quente, um misto de raiva e melancolia misturados a um alívio estranho. Tinha levado um mês para me acostumar com a ideia, consumi noites sem dormir pensando nisso. Por fim, a alegria tornou-se maior que o medo e a vergonha. A sensação de alívio eu sabia bem porque: não precisaria contar que seria pai. Que somente eu seria pai. E não nós, como tanto desejado em todos os anos de casados. Tirei a aliança do bolso e a coloquei de volta no dedo. Chamei um Uber e digitei o endereço de casa. Enquanto o motorista tentava iniciar uma conversa sobre o tempo, respondi à mensagem com um “talvez Deus sabe o que faz”. A resposta veio curta e seca: “babaca covarde”. Apaguei o histórico de mensagens e o contato dela. Sou mesmo um babaca covarde.
quinta-feira, 23 de julho de 2026
Amores indisputáveis
Na cafeteria quase vazia, escolheu uma mesa de canto, próxima à porta de saída, estratégia adquirida depois de tantos encontros que teve vontade de correr após os primeiros quinze minutos. Mesmo prometendo apagar os aplicativos de relacionamento há mais de seis meses, continuava na busca insalubre em matches duvidosos. Tamborilou incessantemente os dedos nus na mesa, tomou o último gole do segundo expresso curto, as pernas cruzadas e o pé em ritmo acelerado. Olhou para o celular: trinta minutos atrasado. Qual a regra para abandonar um encontro no qual você está levando um bolo? Começou a digitar uma mensagem, mas apagou. Foda-se, meia hora já é tempo suficiente. Fez sinal para a atendente trazer a conta, enquanto procurava a carteira na bolsa.
A nota chegou, acompanhada de um mini cupcake de chocolate. Antes que desse tempo de dizer que não havia pedido nada, a garçonete apontou com o polegar em direção ao cliente que aguardava por um café: “foi ele”. Encostado no balcão com as pernas entrelaçadas, continuava com o mesmo sorriso doce, um canto da boca subindo mais que o outro, formando uma covinha pequena e redondinha só do lado esquerdo, a barba por fazer que quando roçava no rosto a fazia sentir cócegas e os óculos de grau que sempre embaçavam quando se beijavam. Ele acenou e disse oi, levantando o copo de café pra viagem.
Foi o que bastou para ela sorrir, seus pelos se arrepiarem de forma sistemática nas pernas e depois nos braços, o coração acelerando, a garganta secando. Levantou a mão para acenar, derrubando a plaquinha de identificação da mesa e fazendo a garçonete revirar os olhos e dar as costas. Ele riu balançando a cabeça e veio na direção da mesa. Ela levantou de forma desajeitada, tão desajeitada quanto o abraço que veio a seguir, impregnado com o perfume cítrico que invadia seus sentidos e fazia a memória rodopiar, as mãos e os lábios tremiam. “E aí, guria? Como você está?” A intenção era dizer que estava bem, tudo bem, tranquilo. Mas o que saiu foi um “com uma puta saudade de você” assim no seco, sem filtro, sem aviso. O sorriso desapareceu. Olhou fundo nos olhos castanhos esverdeados que já estavam cristalinos e com lágrimas em fuga rápida, enxugadas imediatamente pelos dedos longos dela, deixando um rastro de rímel nas bochechas rosadas. Ele sussurrou “mais uma vez, me perdoa, por favor” enquanto ela fechava os olhos e sentia ele afundar o nariz em seu pescoço, pra depois beijar de forma demorada sua testa. Ela não tinha coragem de olhar e encarar o inevitável: ele dando as costas e rumando em direção à porta. A mesma cena que há tempos martelava na cabeça e que se repetia em devaneios e ruminações de “e se?”.
Quando enfim conseguiu abrir os olhos pode ver ele entrar no carro, entregar o café para quem o esperava. A cara blasé dela, a atenção fixa na tela do celular, sem nem ao menos olhar nos olhos dele. “Essa vaca não sabe a sorte que tem”, foi o que pensou. Ele então virou-se para o banco de trás, o sorriso agora largo e iluminado, de uma forma que ela nunca tinha visto, as mãozinhas e os pézinhos em festa. O barulho de uma notificação de mensagem a tirou do transe, “desculpa gata, vai ter que ficar pra uma próxima, falamos”. Um “vai sonhando” ecoou alto e raivoso. Bloqueou o contato e saiu para a noite que já caía, assim como a garoa fina que se misturava com as lágrimas que ela já não mais se importava em conter. Existem amores indisputáveis.
quinta-feira, 18 de setembro de 2025
Deixe a música tocar, por favor
Parada no hall de entrada, deixou a bolsa despencar dos ombros enquanto os mocassins foram desprezados gentilmente para fora dos pés. O gato se esticou como elástico, fazendo um arco, do rabo apontado para o teto até as patas dianteiras. Escutou o ronronar de boas vindas, ele dançou por entre suas pernas, num zigue zague que se repetia a cada chegada.
Andou pelo apartamento vazio, uma peça de roupa a menos a cada cômodo vencido, o felino desviou das peças que caíram no chão. Tentou acender a luz do banheiro e lembrou que a lâmpada havia queimado ainda de manhã. Vasculhou as gavetas da cômoda de madeira em busca de velas aromáticas. Não tinha pensado em usá-las assim, mas, vá lá, de outra forma não aconteceria, pelo menos por enquanto. A água borbulhava num gorgolejar ritmado, preenchendo as curvas da banheira velha e descascada, o tom de rosa que a agradava tanto quanto um soco no meio da cara. Olhou-se no espelho. Entre luz e sombra, seu rosto parecia um mosaico feito em composição de tons alaranjados, como quando se erra o tom da base. Caminhou com as pontas dos dedos pelo mamilo arrepiado, descendo pela cintura e chegando ao umbigo. Apertou a camada de gordura acima do púbis, como se o gesto fosse capaz de arrancar as células adiposas mais teimosas do corpo. Se encarou, num escrutínio julgador, tal qual um juiz isento de imparcialidade. Mostrou os dentes no que poderia ser um sorriso, não fossem os olhos vermelhos injetados. Em voz alta, perguntou como estava. Respondeu que bem, arqueando a sobrancelha esquerda e piscando com o olho direito. Franziu a testa e o nariz, balançando a cabeça numa negativa seguida de um sussurro: “você está louca?”.
O gato ronronava de novo aos seus pés. De cócoras, encarou o bichano, perguntou se ele achava que ela estava louca. Gargalhou num som gutural, seguido de um choro compulsivo. Ficar louca era uma possibilidade, afinal estava no meio do banheiro, nua, à luz de velas falando com seu gato, logo após ter estabelecido um franco diálogo com o espelho. “Definitivamente preciso de alguém para conversar, ou de um bom vinho para dormir melhor.” Passou os dedos com unhas roídas pelas lágrimas que insistiam em seguir o curso da bochecha para o pescoço.
Foi até a cozinha, mas não encontrou nada. A última garrafa há muito se perdeu, numa noite em que não se sentia tão só.
Imersa na banheira, os cabelos dançando como algas acobreadas, viu a sombra bruxuleante das velas refletidas no teto, sentiu a água quente beliscar sua pele, ao mesmo tempo que os músculos relaxaram fibra a fibra. Esticou o dedão do pé até a torneira enferrujada que gemeu ao cessar a corrente de água. Fechou os olhos e se deixou embalar pelo vapor de lavanda que emergia, saboreou as últimas lágrimas insistentes. Madeleine Peyroux entoava melancólica como veludo em seus ouvidos, uma melodia que a embalou num passado não muito distante, onde uma felicidade doída se misturou com uma tristeza cortante. Haviam dançado no meio da sala, na noite em que ele partiu. Sabia que era a última vez que o veria, mas ainda assim nutria uma falsa esperança, um desejo quase ingênuo de que no último momento ele diria que ficaria.
O choro incontido irrompeu novamente, agora silencioso. A água fria arrepiou os pelos dos braços suspensos na borda, a escuridão invadiu o banheiro à medida que as velas definharam e a fez criar coragem para sair de seu transe nostálgico. O roupão branco a abraçou, calçou os chinelos felpudos depois do gato aceitar que ali não poderia mais ficar. Apesar do almoço ter sido o último contato com qualquer coisa que lembrasse uma refeição, não sentia fome. Fez um chá e, apenas por amor ao organismo, pegou algumas bolachas que sua vizinha, uma mãe-esposa-rainha-do-lar-impecável, havia feito a gentileza de lhe dar, com inconfundível sorriso em que um misto de pena e compaixão lhe dava ímpetos de puxar os cabelos da mulher como se fosse uma criança birrenta sendo contrariada, frisando que ela mesma tinha feito, uma receita da família, herança da mãe.
Como uma lagarta dentro de um casulo, aconchegou-se por entre os travesseiros e o edredom. O gato se aninhou nos pés da cama. Abriu o livro que já criava camadas de pó e esquecimento na cabeceira, mas não conseguiu chegar até o fim do capítulo. Adormeceu, os óculos pendurados na ponta do nariz, o livro repousado no peito. Dormiu o sono dos justos, diria a mãe. Mas a ausência de sonhos determinava que aquele não era o sono dos justos, mas de alguém que ao ter, algum dia, se dado ao luxo de fantasiar acordada, via agora a vida passar em preto e branco, desejando que a música nunca tivesse terminado de tocar.
sexta-feira, 18 de julho de 2025
Eu, eles, nós
Faltavam exatamente sete horas para a cerimônia. Caminhava devagar, chutando uma pedra ali outra aqui, como se estivesse sem rumo, ainda que soubesse que estava à apenas cinco minutos da livraria preferida. Na vitrine de uma joalheria viu a propaganda estampada com os dizeres: “para o dia mais especial de sua vida, nós temos as alianças perfeitas”. Um filme passou na cabeça dela: desde quando o conhecera até hoje, nesse exato momento. O dia em que sabia que uma escolha havia mudado tudo, em que disse não para alguém e, consequentemente, abriu caminho para quem hoje ela diria sim.
Perambulou pelas prateleiras cheias de lombadas coloridas e de diferentes tamanhos, passando os dedos por uma infinidade de livros, entre lançamentos, clássicos e best sellers. Essas eram as primeiras horas que passava sozinha, totalmente absorta em pensamentos que não pareciam estar de acordo com o momento presente. Olhava para tudo e todos ao redor e não conseguia ver sentido no que acontecia. Tinha a impressão que havia se deixado levar pelo medo de errar novamente ou de desperdiçar a única chance de ser feliz. Encarava o fato de que desistir somente no dia do sim, parecia insano. Talvez estivesse se dando conta, mesmo que tardiamente, que havia criado uma persona, uma personagem que ela quis muito legitimar como aquela que teria enfim o desfecho de um “felizes para sempre”. E ela acreditou nisso por muito tempo. Mas agora parecia não fazer sentido, não ser ela de verdade.
A náusea que a percorreu do umbigo até a garganta agarrou o seu pescoço e deu as mãos à ansiedade que ela já conhecia bem. Como cancelar tudo e desistir? Conseguiria explicar que não era capaz de continuar com tudo isso? Repetia que sentir-se assim era natural, afinal de contas é um passo importante, uma mudança colossal, necessária. Será mesmo?
Lembrou que estava quase na hora do cabeleireiro e rumou pelas ruas tantas vezes percorridas em toda uma vida morando no mesmo lugar. Encontrou a mãe que já a esperava. Cabelo, maquiagem, unhas, fotos. Alguém, sabe-se lá porque, trouxe uma taça de vinho. Pra relaxar, falaram. E então a lembrança de uma noite, dez anos atrás, foi como mergulhar no buraco de Alice e ver tudo caindo e girando e acontecendo de forma rápida e desconexa. Risos, uma, duas e de repente três garrafas de vinho, mais risos, tropeços e uma queda em braços conhecidos. Um beijo. Tudo rodando. Como assim? “Não somos amigos?” “E daí?” Mais beijo e uma saída em disparada. Confusão. “Preciso pensar”. Se deu conta que pensar era a única coisa que não deveria ter feito. Sentir era a palavra. Mas o timing daquela noite estava errado, tudo fora da hora, de ordem. Tinha certeza que havia errado. Sentir fazia muito mais sentido.
Alguém lembrou que era preciso passar o fixador de maquiagem. E ela lembrou que nunca havia esquecido o que aconteceu com eles, que a escolha que fizera tinha mudado todo o rumo e direção de uma vida. No caso a sua, que aparentemente era tão perfeita. Talvez perfeita demais, linear demais, metódica demais. Por tanto tempo parecia que era exatamente isso que a faria feliz: a certeza, a segurança, a rotina. E agora tinha a nítida e quase que palpável sensação de que estava prestes a ser acorrentada a toda uma realidade e uma história que não queria, não desejava.
Sua mãe a acompanhava com o olhar, sem perder um movimento seu, mordendo o canto dos lábios e suspirando entre sorrisos amarelos: ela sabia que algo acontecia mas não entendia o que. Apesar dos sorrisos e do ar alegre, tudo parecia ser plastificado, caras e bocas estampadas apenas porque é assim que esperam que estejamos em determinados momentos. A melancolia pairava com o mesmo peso das gotículas de spray de cabelo que se dissipavam no ar, como uma nuvem cinza que, na ausência das lentes das câmeras e dos pedidos de “sorria” do fotógrafo, faziam com que seu maxilar se contraísse e seus vincos acima do nariz e da sobrancelha entregassem o que se passava em sua cabeça naquele exato momento. “E se eu estiver me precipitando? E se não for realmente isso que eu quero? Quantas vezes nesses anos todos tive a total certeza de que o amava e seria com ele que gostaria de passar o resto da vida?”
Em pé, parada na frente das portas da igreja, com o pai ao lado, foi tomada novamente por um sufocamento. Lutava com os pensamentos que tentavam justificar isso. Estava sempre se justificando, racionalizando e procurando caminhos mais fáceis, mesmo que mais desconfortáveis, para seguir.
Escutava o burburinho das pessoas, a música de fundo, o cheiro das flores inundava seus sentidos. A cerimonialista veio avisar que estava na hora. Seu pai a olhou com olhos marejados, porém firmes e carinhosos, como sempre. "Vamos?" Seu corpo não obedecia. Sentia como se os sapatos de cetim branco fossem na verdade dois blocos de concreto. "Não posso" sussurrou. "Não sei se quero" foi o que conseguiu dizer, antes de dar alguns passos para trás no momento em que as portas se abriram. Ela avistou os dois no altar, porque quis o destino que ele fosse o padrinho de casamento. Quando o Universo conspira ele pode ser imbatível, indecifrável e lindo; mas sádico também. Ele. Eles. Nós. Eu. Olhou a cauda do véu, dois metros de renda cobrindo as escadarias da catedral, como ondas brancas num mar de possibilidades e escolhas. Encontrou novamente os olhos do pai. Só isso já seria suficiente, mas ele falou, baixinho, ela tendo que praticamente ler nos lábios dele “vai, está tudo bem, te amo” para então dar meia volta e sair correndo em direção à rua. Em direção à ela mesma.
segunda-feira, 9 de junho de 2025
Nós
Ainda confio
Nas voltas que a vida dá
Nos laços que se transformam em nós
Nos espaços que se preenchem ao
estarmos sós
Ainda confio
Nas confissões das palavras não ditas
Nas intenções dos olhares sustentados
em silêncios gritados
e nos abraços que, mesmo negados,
seguem sendo desejados
Ainda confio
No retorno silencioso carregado de
significados que não podem ser
mudados
Porque nós, quando assim tão
apertados, são a base dos laços que
permanecerão para sempre,
inalterados.
Alinhamento astral
Aprender a não apressar
ou tentar mudar
os acontecimentos inevitáveis.
O que tem de ser,
tem muita força.
Sobre aprendizado
Com o passar dos anos
Vamos abandonando as certezas
Abre-se espaço para uma constatação
redentora: não somos, apenas estamos
E isso é liberta(dor).
segunda-feira, 4 de novembro de 2024
Movendo meu mundo
Me desfaço dos medos e começo a trilhar os caminhos das vontades,
dos desejos; e isso é como molhar os pés no mar no início do verão, depois de um longo inverno.
E isso é bom, muito bom.
O medo paralisa. As vontades e os desejos movem o mundo.
terça-feira, 23 de julho de 2024
Desencontros
Em tempos em que substituímos
demonstrações de afeto e
construções de frases e diálogos
por emojis de corações,
não me espanta que tantos
corações reais estejam por aí,
vagando solitários e desiludidos.
quinta-feira, 18 de julho de 2024
Terça casa
Desabam na cama, lado a lado, como todas as terças nos últimos dois meses. Saciados, suados e gozados. Ele segue para o banheiro. Ela ainda ...
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Ainda confio Nas voltas que a vida dá Nos laços que se transformam em nós Nos espaços que se preenchem ao estarmos sós Ainda confio Nas con...
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Parada no hall de entrada, deixou a bolsa despencar dos ombros enquanto os mocassins foram desprezados gentilmente para fora dos pés. O gato...